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O Encontro de Profissionais de Relações Internacionais é inovador em sua forma e proposta. 

Visa consolidar diferentes práticas e construir um amplo espaço de comunicação e discussões sobre o desenvolvimento da profissão de internacionalista.

 Relações Internacionais: o desafio de preencher a imensa lacuna entre graduação e mercado

Apesar de ter um título que mistura ironia com alarmismo, o que precisamos conversar é muito sério e pode determinar os rumos da sua carreira e até mesmo se você tem realmente o perfil de um profissional de Relações Internacionais. 

Em outros artigos e posts que escrevi, já venho tratando da importância da atualização profissional, dos cursos complementares, das características que precisam ser exploradas e de outras questões que julgo importantes. Acompanho o campo, gosto da carreira e dos desafios [se não tivesse tantos, talvez eu nem tivesse escolhido essa carreira] e agora considero que seja o melhor momento para por alguns assuntos chatos na mesa e por o dedo na ferida. 

Desafio de preencher as lacunas da formação de Analista de Relações Internacionais

Se não está disposto a enfrentar grandes desafios, muitas incertezas e inseguranças, não estude Relações Internacionais. Não é uma carreira convencional, não é linear, não é óbvia e não é cristalina. 

Carreias tradicionais e consolidadas, como Engenharia Civil, Arquitetura, Medicina e [por que não] Comércio Exterior, para citar algumas, apresentam perfis claros e definidos para os elementos listados anteriormente, mas também enfrentam as mesmas dificuldades [em menor escala] que as carreiras novas e universalistas, como Relações Internacionais. 

Isso não é exclusivo de nenhuma carreira, praticamente qualquer curso universitário vai exigir qualificação complementar. Talvez o percentual mude, mas não existe 100%. Alguns cursos talvez quase nem precisem que o profissional tenha domínio e conhecimento de outros temas, tópicos, habilidades e línguas. Pouquíssimos cursos universitários. Conhece alguma carreira onde basta obter um diploma e pronto?

Em um recente debate no grupo para profissionais, estudantes e interessados em Relações Internacionais no Facebook, onde compartilham experiências e opiniões sobre a carreira, um comentário chamou muito minha atenção e me instigou a escrever esse post. 

Sem mais delongas, vou reproduzir o comentário feito por Jackson Staack: 

“Fui da turma de 1993 de Relações Internacionais, na época só havia na UnB e no Rio de Janeiro. Realmente [essa carreira] não prepara você somente para um emprego, mas para o mundo; hoje tenho inúmeros negócios, minha empresa fica em Nova York e muito devo a minha formação; lógico que formação é apenas 5%, o restante é talento, dedicação, trabalho”. 

Então, antes que ingresse no curso de Relações Internacionais, saiba que a graduação conta apenas por um vigésimo da sua formação. Reafirmo: 5%. Apesar da graduação contar apenas por uma pequena fração da trajetória profissional, não se trata apenas de um diploma, mas de uma forma de encarrar os desafios e enxergar as oportunidades ocultas e distribuídas em muitas frentes. 

Para Jackson, 

“Um analista de relações internacionais não se preocupa com sua formação, mas com a informação e o mundo, onde oportunidades se espalham em diversas áreas: esportivas, econômicas, legal, tributária, diplomática, defesa, estratégica e assim por diante”. 

Para seguir nessa carreira, logrando preencher os 95%, é preciso vestir a camisa, abrir a mente e, principal e especialmente, o coração, pois vamos falar de muita entrega e comprometimento profissional e pessoal. Por isso, 

“Não pense no que os outros vão pensar, siga seu coração que as portas vão se abrir; você vai ouvir muitos não e poucos sim, mas não desista; o caminho não é claro pra ninguém e o sucesso não veem do dia pra noite. Na minha época nem internet havia, mas mesmo assim eu acreditava no futuro. Hoje com as ferramentas de estudo disponíveis tudo é muito mais fácil, e por isso mais competitivo”. 

Quem pretende seguir carreira, precisa entender que não é uma carreira tradicional e óbvia, não se trata de diplomacia [em um artigo futuro tratarei disso], mas de valores, tino empreendedor, capacidade de compreender o mundo. Relações Internacionais não é uma simples carreira, um título de trabalho. 

Para Jackson, “se você for criativo e se dedicar muito e se entender que a função da formação não é gerar emprego, mas instruir para você buscar os caminhos com melhor orientação, então você estará preparado para a competição”, e terá compreendido o quão importe são esses 5%. 

E, “se você quiser um emprego com base na sua formação, melhor estudar no SENAI um curso profissionalizante”. 

Caminho das Pedras 

Agora que você sabe que ao entrar na graduação de Relações Internacionais que o caminho é longo e árduo, com incertezas e desafios inúmeros, posso dizer que existem muitas formas de ser internacionalista, que não nos limitamos e você faz o seu caminho. Mas – agora é a hora de se perguntar – como é possível preencher essa lacuna de formação e experiência profissional? 

Cabe a você definir como serão os outros 95%, pois isso depende de suas escolhas, valores e paixões, que podem ser em atividades voluntárias, experiência profissional, cursos complementares, outra graduação, especializações, viagens, parcerias profissionais, etc. Você pode fazer um MBA em Gestão de Projetos, ser voluntário em uma ONG, estudar China e se aprofundar em um tema com potencial para profissionais com nossa formação, por exemplo. 

Algumas áreas que você pode seguir e com grande potencial para internacionalistas: 

·        Segurança digital

·        Sustentabilidade

·        Informática/Tecnologia

·        Novos tratamentos médicos

·        Internacionalização de empresas

·        Comércio eletrônico

·        Finanças

Mas lembre-se que o pilar e base para todo esse ciclo é a graduação e que para auxiliar nessa jornada é essencial buscar aconselhamento e participar de eventos.

Por isso, faço o convite para participarem do EPRI, onde diversos internacionalista vão compartilhar suas trajetórias, experiências e falar dos desafios e oportunidades da carreira e campo em 2021.

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